Bergen está branca pela primeira vez, este Inverno.
Por esta altura no ano pasado já tinha nevado bastante. Sendo este o meu segunto Inverno por terras nórdicas, já sei o que esperar. Talvez por isso mesmo neste momento sinta um mix de tristeza e alegria. Sinto alegria, e até alguma excitação (tal e qual uma criança), quando vejo nevar. Fica tudo tão puramente branco, uma paisagem linda.
Por outro lado, sinto alguma angústia porque sei o que aí vem: o frio do Inverno.
Sei que sou abençoada porque o encontrei. Porque nos encontrámos.
Porque num Mundo cheio de incertezas, tenho a certeza que é com ele que quero passar o resto da minha vida.
Casámos e continuamos a namorar. ♥
Não sou sonhadora por natureza.
Aprendi a sonhar com ele.
Disse-me em tempos difíceis: "se não o podemos viver, porque não sonhar com o que gostaríamos de viver?"
E sonhei, e sonho, muito. E isso, só o sonho, já me fazia e faz feliz.
O que acontece é que quando os meus sonhos se realizam, são sempre melhores.
Mesmo com todas as contrariedades ou aparentes imperfeições, um sonho tornado realidade é sempre perfeito.
Este foi um sonho que se tornou realidade.
Este foi assim: imperfeitamente perfeito.
Comecei 2013 com um offshore survival training.
Um curso diferente. Um curso para um mundo diferente.
Um mundo que, por ser tão diferente e novo, me dá garra para aqui continuar.
Este curso, aqui na Noruega, é obrigatório para quem quer/tem de ir para as plataformas de petróleo. No meu caso não trabalho permanentemente numa plataforma mas preciso de ir algumas vezes lá para "checkar" as estruturas que calculo no computador.
Muito resumidamente, o curso ensina-nos a sobreviver (ou a tentar) caso aconteça algum acidente: queda do helicóptero que nos transporta, incêndios, hipotermia, primeiros socorros, etc.
O teste mais desafiante foi o do helicóptero.
O treino foi feito num simulador que depois de estar debaixo de água rodava 180º.
Em baixo mostro-vos um exemplo de um vídeo com o exercício que tínhamos de fazer.
Eu era um dos laranjinhas. :)
Claro que um acidente real nunca é assim tão pacífico. O intuito deste treino era que aprendêssemos apenas o que fazer para sobreviver.
Da minha experiência posso dizer que não foi fácil. Controlar o stress e simultaneamente concentrar-me na respiração por um pulmão artificial, juntamente com tirar o cinto de segurança e empurrar a janela para conseguir sair, não foi mesmo nada fácil! Era a única rapariga do grupo e acho que esse factor ainda me deixou mais nervosa. Enfim, o treino foi repetido muitas vezes, para que ficássemos a vontade com o procedimento e no fim já fazia tudo tranquilamente. Mission accomplished!
Sexta feira vou pela primeira vez a uma plataforma e fico lá até segunda feira.
Esta vai ser a minha casa durante esses quatro dias: