Nunca gostei do dia dos namorados. Eu e o R., em 4 anos, nunca o celebrámos.
Porque acho o dia piroso. Porque não gosto de corações. Porque não gosto de ursinhos.
O R. auto denomina-se como "o romântico" da nossa dupla. E é.
Mesmo assim, ele passou sempre ao lado deste dia, como um dia normal, porque me conhece bem.
Este ano resolvi surpreendê-lo e fazer um jantar piroso, com tudo em forma de coração (confesso que me diverti a fazê-lo).
Porque sei que ele gosta.
Mantive segredo mas acho que ele sentiu que este ano, o primeiro de casados, ia ser diferente e fez-me imensas surpresas pirosas e uma delas um ramo de flores (cor-de-rosa e tudo).
O dia passou mas as flores continuam penduradas na nossa sala e todos os dias olho para elas com um sorriso.
Ele nunca me tinha dado flores. Que parva que sou.
Quando fiz o piercing, há uns 4 anos, sempre tive em mente usar uma argola.
Cheguei a tentar mas eram sempre muito grande, gordas, pequenas. Enfim, nunca gostava.
Até que encontrei esta. É fininha e adapta-se bem, consegui dar-lhe a forma que queria para não ficar muito afastada da narina.
photo credits: ACB
Mudei o meu piercing do nariz de uma bolinha para uma argola quando ainda estava em Portugal, em Dezembro/Janeiro.
A minha mãe detestou juntamente com todos os meus irmãos e o meu querido R. também não achou muita graça.
Quando mudo/uso alguma coisa que ninguém à minha volta gosta fico sempre a pensar se serão os meus olhos que estão errados, se estará mesmo assim tão mal. Sofro momentaneamente de pequenas faltas de confiança.
Mas quando olho ao espelho gosto. Por isso acabo sempre por manter.
Gosto de pensar que estas pequenas inseguranças fazem parte do crescimento da personalidade. Ainda que seja em pormenores como este.
Acho que não devemos andar neste Mundo sem ouvir os outros, afinal vivemos uns com os outros. Mas depois devemos ouvir-nos a nós.
Um sinal de que estou definitivamente na fase adulta da minha vida foi ter pedido no Natal à minha querida mãe uma batedeira fixa, com taça (não sei qual é o nome técnico).
Qual quê ter feito 30 anos. Quando pedimos electrodomésticos, isso sim é um sinal de maturidade por dentro e por fora!
Já a queria há muito tempo, confesso.
Embora ainda esteja em fase de aprendizagem, desde pequena que adoro cozinhar, ou tentar cozinhar. Onde mais gosto de me aventurar é nas sobremesas e acho que uma batedeira boa é fundamental, então se for fixa melhor porque enquanto está a bater posso ir adiantando outras coisas. Adoro!
A ultima aventura foi baseada no blogue As Minhas Receitas da Joana Roque. Fiz uns muffins de mirtilo para o lanche de um Sábado frio e chuvoso.
Há qualquer coisa de inexplicável no conforto de um lanche quentinho quando lá fora está mau tempo.
photo credits: ACB
À hora do lanche a luz já tem de ser artificial, já está escuro lá fora, daí a tonalidade amarela da última fotografia.
Agora estamos na altura do ano em que cada dia notamos que o dia "esticou" mais um bocadinho, fica luz até mais tarde.
Adoro esta parte do ano. Cada dia fico um bocadinho mais feliz. Sim, não é preciso muito para ficar feliz!
Acho que já referi em posts anteriores que a vida por aqui mudou-me.
E mudou o meu armário. Troquei os saltos por rasos.
Sentir-me confortável, sem desleixo, é muito importante.
Já há muito que queria umas sapatilhas com plataforma.
Tinha experimentado algumas e não gostei, faziam-me o pé grande e gordo. Girls!
Vi estas na Mau Feitio, quando andava na saga das prendas de Natal, em Portugal.
Não gostei muito delas na prateleira. Achei-as demasiado edgy para o que costumo usar. Experimentei na mesma. E adorei!
Gostei de as ver no pé e achei que as conseguia usar se conjugasse com um look simples. Tarefa fácil já que é por aí que anda o recheio do meu armário, pela simplicidade.
Uso-as num dia como o da foto, com o sol de inverno a espreitar.
photo credits: ACB / S.
photo credits: ACB
photo credits: ACB
São feitas de um tecido aveludado, tanto por fora como por dentro.
Vieram com dois pares de atacadores, pretos e tipo leopardo.
São da SixtySeven. Têm um interior inspirador - I'm an outsider. Choose to #nofollow.
A minha perdição no mundo da maquilhagem - batons.
Uso-o quando não tenho tempo para me arranjar. Só com máscara nas pestanas, e tudo nos lábios.
Ou quando quero um look simples mas sofisticado.
Neste caso, como é mate, até gosto de o usar durante o dia.
Enfim, a minha cor de lábios "go-to" - vermelho mate.
A viagem de regresso, depois do Natal em Portugal, custou mais este ano.
Sei que vai custando sempre mais, à medida que os anos vão passando.
A aventura que aqui estamos a viver vai deixando de ser "aventura" e passando a ser a nossa vida.
Uma vida normal, com rotinas normais, com vivências normais.
A nossa vida longe. Longe de quem mais gostamos, família e amigos.
No regresso houve despedidas com lágrimas. Lágrimas de saudade antecipada.
A despedida no aeroporto é sempre muito emotiva. Custa ir.
Ainda assim, sinto-me abençoada. Tenho sorte por poder ter esta vida.
No avião despedi-me do sol.
O sol que este ano só apareceu num dia mas chegou para senti-lo na pele e matar saudades. O nosso sol.
Nunca fui muito de vibrar com decorações natalícias, mas mudei este ano.
Talvez porque agora é a nossa casa, a nossa decoração, a nossa árvore, o nosso Natal a dois.
Quisemos ter uma árvore de natal com pormenores nossos. Que fosse, em parte, feita por nós.
Tudo pormenores muito simples mas que têm um bocadinho de nós.
photo credits: S. to ACB
As bolinhas brancas são bolas de esferovite que furámos de um lado ao outro e passámos um fio para as pendurar.
Os bonequinhos de madeira são a representação da nossa família. Uma forma de os termos em nossa casa. São uns "pinos" que comprámos numa loja de "crafts", fizemos um furinho na zona da cabeça, para também os podermos pendurar, colámos com cola quente um lacinho no pescoço ou na cabeça, dependendo se representa um rapaz ou rapariga, e escrevemos o nome da pessoa (mãe, pai, irmãos, etc.) na base.
As argolas de madeira foram o mais fácil de fazer. Comprámos as bolinhas e enfiamo-las num fio-arame para formar a argola.
O laço do topo é feito com uma camisola muito velhinha que tinha aqui por casa.
Depois compusemos o resto da árvore com alguns acessórios comprados e outros oferecidos.
O facto de termos feito manualmente a maioria dos enfeites também nos uniu muito.
Na minha opinião, a vida a dois alimenta-se de muitos pequenos pormenores como estes momentos. São tão bons.
Este fim de semana o tempo continuou cinzento, molhado e triste.
Os meus dois passatempos "caseiros" preferidos: costura e "do it yourself".
Tenho uma saia preta com um corte diferente mas que já não gosto. Já a tenho há muitos anos, foi muito amada, usei-a muitas vezes.
Deixei-a em "standby" no armário porque sempre pensei que um dia lhe daria uso, afinal é uma saia preta - dá com tudo. Esse dia nunca chegou.
Hoje lembrei-me que lhe podia fazer um "rehab" e transformá-la numa saia com um corte mais simples, gosto de simplicidade.
Voltei a usá-la.
photo credits: S. to ACB
As alterações foram simples. Descosi os efeitos "repuxados" da saia. Cortei-a em formato circular. Fiz-lhe a bainha. Passei-a a ferro. Usei-a.
Sexta feira à noite. Muito frio. Sem planos nem festas. Um serão caseirinho.
Com um restinho de massa folhada fiz croissaints com chocolate.
Não tem ciência nenhuma. Mas ficaram tão bons que resolvi partilhar.
Foi só esticar a massa (sim, aqui a massa não vem já pronta a usar) e cortá-la em triângulos.
Colocar as pepitas de chocolate na "base do triângulo", enrolar e pincelar os croissaints com gema de ovo.
Depois é só levar ao forno até ficarem douradinhos e já está.
Perfeitos para um "breakfast in bed" no Sábado de manhã.
photo predits: S. to ACB
PS - O meu marido (ainda me estou a habituar a esta palavra) já tem há muito tempo o bichinho da fotografia. Mas ultimamente anda a pegar-me.
Adorei o resultado desta minha experiência culinário-fotográfica.
Como já aqui disse algumas vezes. Não sou de frio. Nunca fui. Com o tempo vou sendo.
No entanto, para mim, o Natal não é Natal em pleno sem frio.
Passo o Natal na Serra do Caramulo, desde que nasci. Com frio, muito frio.
E é tão bom.
Talvez por isso o frio do Inverno aqui na Noruega, me deixe mais nostálgica nesta altura do ano.
Sinto o espírito natalício diariamente, em cada caminhada.
Caminhadas com paisagens como a da fotografia acima que tirei numa ida para casa.
Este sentimento cresce com a chegada do Natal.
Frio, gorros, luvas, nariz rosado, respiração que se vê como vapor de água.
Uma casa quentinha, chá com biscoitinhos.
É (quase) Natal.
Natal é família. E agora que estou longe, mais do que nunca, sinto a falta da minha.
A saudade aperta.
Hoje vou voar para Portugal. Para o meu verdadeiro Natal em pleno.
Bergen está branca pela primeira vez, este Inverno.
Por esta altura no ano pasado já tinha nevado bastante. Sendo este o meu segunto Inverno por terras nórdicas, já sei o que esperar. Talvez por isso mesmo neste momento sinta um mix de tristeza e alegria. Sinto alegria, e até alguma excitação (tal e qual uma criança), quando vejo nevar. Fica tudo tão puramente branco, uma paisagem linda.
Por outro lado, sinto alguma angústia porque sei o que aí vem: o frio do Inverno.
Sei que sou abençoada porque o encontrei. Porque nos encontrámos.
Porque num Mundo cheio de incertezas, tenho a certeza que é com ele que quero passar o resto da minha vida.
Casámos e continuamos a namorar. ♥
Não sou sonhadora por natureza.
Aprendi a sonhar com ele.
Disse-me em tempos difíceis: "se não o podemos viver, porque não sonhar com o que gostaríamos de viver?"
E sonhei, e sonho, muito. E isso, só o sonho, já me fazia e faz feliz.
O que acontece é que quando os meus sonhos se realizam, são sempre melhores.
Mesmo com todas as contrariedades ou aparentes imperfeições, um sonho tornado realidade é sempre perfeito.
Este foi um sonho que se tornou realidade.
Este foi assim: imperfeitamente perfeito.
Comecei 2013 com um offshore survival training.
Um curso diferente. Um curso para um mundo diferente.
Um mundo que, por ser tão diferente e novo, me dá garra para aqui continuar.
Este curso, aqui na Noruega, é obrigatório para quem quer/tem de ir para as plataformas de petróleo. No meu caso não trabalho permanentemente numa plataforma mas preciso de ir algumas vezes lá para "checkar" as estruturas que calculo no computador.
Muito resumidamente, o curso ensina-nos a sobreviver (ou a tentar) caso aconteça algum acidente: queda do helicóptero que nos transporta, incêndios, hipotermia, primeiros socorros, etc.
O teste mais desafiante foi o do helicóptero.
O treino foi feito num simulador que depois de estar debaixo de água rodava 180º.
Em baixo mostro-vos um exemplo de um vídeo com o exercício que tínhamos de fazer.
Eu era um dos laranjinhas. :)
Claro que um acidente real nunca é assim tão pacífico. O intuito deste treino era que aprendêssemos apenas o que fazer para sobreviver.
Da minha experiência posso dizer que não foi fácil. Controlar o stress e simultaneamente concentrar-me na respiração por um pulmão artificial, juntamente com tirar o cinto de segurança e empurrar a janela para conseguir sair, não foi mesmo nada fácil! Era a única rapariga do grupo e acho que esse factor ainda me deixou mais nervosa. Enfim, o treino foi repetido muitas vezes, para que ficássemos a vontade com o procedimento e no fim já fazia tudo tranquilamente. Mission accomplished!
Sexta feira vou pela primeira vez a uma plataforma e fico lá até segunda feira.
Esta vai ser a minha casa durante esses quatro dias: